O Silmarillion, agora reeditado pela Editora WMF Martins Fontes, relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os grandes eventos narrados em O Senhor dos Anéis. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos. Tolkien trabalhou nesses textos ao longo de toda a sua vida, tornando-os veículo e registro de suas reflexões mais profundas.
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Páginas: 470
Classificação: 5/5 ♥
Formato da leitura: Físico

O Silmarillion é uma obra épica incrível. Expande o mundo da Terra Média que conhecemos em O Hobbit e O Senhor dos Anéis, pois estas duas obras são apenas uma pequena história na grande mitologia criada pelo autor!

O livro começa com a grande canção de Eru Iluvitar, que em minha visão, representa Deus. Os "anjos"/Anuir se juntam a ele na canção. Os principais se chamavam: Manwë, Varda, Ulmo, Aulë, Tulkas, Yvanna, Nienna, Mandos e Oromë. A canção cria o mundo e os seres.

Mas então um deles, chamado Melkor, "um demônio", provocou uma dissonância, almejando fazer uma música própria, e sua música fez com que alguns começaram a desviar-se do propósito inicial de Eru.

Alguns dos Ainur que se enamoraram de Arda, a Terra, puderam descer para lá. Desses espíritos que desceram à Terra, os mais poderosos foram chamados de Valar, e os menos poderosos, de Maiar. Iniciou-se assim o Governo dos Valar na Terra. Melkor desceu junto, e secretamente cobiçava a Terra.

Esse foi o início da Terra e da História dos Valar como seus governantes. Depois o livro fala dos seres criados, em especial os elfos. E é a partir deles que a trama do livro toma forma.

Duas histórias me chamaram a atenção: Os filhos de Húrin e Beren e Luthien. Abaixo irei contá-las, se não desejar ler spoilers, vá para o final da resenha.


Os Filhos de Húrin é uma tragédia intensa, que possui um livro próprio. Pela importância da história no compendium dos elfos, ela é aqui tratada de forma resumida. Húrin foi capturado após a Batalha das Lágrimas Incontáveis, e amaldiçoado por Morgoth (Melkor), e a maldição também seria para sua família.

Turin Turumbar, desde pequeno, se sentiu diferente. Após sua sua vila Dor-lómin ser atacada, sua mãe, Morwen, lhe enviou secretamente para Doriath, uma fortaleza élfica, por segurança. Por anos ele viveu lá, longe dos olhos de Morgoth. Entretanto, após matar um elfo de Doriath, Turin foge e vive na floresta por anos como um proscrito.

Ele vai para a fortaleza de Nargothrond. Lá, Finduilas, a filha do rei Orodreth, se apaixona por ele. Anos depois,  Morgoth enviou uma orda de Orcs e o dragão Glaurung para lutar contra Nargothrond. Na batalha de Tumhalad, o reino pereceu. Túrin foi pego pelo olhar poderoso do dragão, e imóvel, nada por fazer para evitar que os orcs levassem a princesa Finduilas.

Anos depois, se apaixona por uma jovem sem memórias chamada Niniel Nienor.


Eles se casam e ela fica grávida, mas são atacados por Glaurung. Antes de morrer, o dragão revela que os dois são irmãos. Glaurung havia retirado as memórias da jovem antes de ela conhecer Turin, e lhe devolveu para mostrar a verdade. Inconformada, Niniel se joga nas águas do rio Taeglin. Já Túrin cai sobre o fio de sua própria espada.

Os pais dos jovens, anos depois, finalmente se encontram. Hurín e Morwen compartilham um breve momento juntos, antes que a maldição de Morgoth também os alcança-se.

É uma das tragédias mais tristes escritas por Tolkien! Túrin nunca pareceu realmente feliz, sempre se sentiu inconformado, inquieto e fora do lugar. Tudo por culpa de uma maldição.

Beren e Luthien é uma das maiores histórias de amor da mitologia de Tolkien!


Após o primeiro olhar, Beren e Lúthien se apaixonaram. Ele foi a Doriath pedir a mão da princesa elfa a seu pai, o rei Thingol. Thingol não aprovou o humem mortal, e lhe deu uma tarefa impossível para conceder a mão da filha:  Ele deveria trazer uma das três joias Silmarils, que Morgoth havia roubado.

Com a ajuda de Huan e de Finrod Felagund, Beren e Lúthien derrotaram Sauron e em Angband,  roubam uma Silmaril da coroa de Morgoth. Beren foi mortalmente ferido por Carcharoth, o lobo de Angband, e morreu.

O amor de Lúthien por Beren era tão forte que, ao saber da morte do amado, seu espírito viajou até  o Palácio de Mandos, um dos Valar, que cuida da pós-vida dos elfos. Lá ela cantou uma canção de tamanho luto e beleza que Mandos se encheu de piedade pela primeira e única vez.

Ele deu a ela duas escolhas. Lúthien escolheu retornar a Terra-Média com a seu lado Beren, por um tempo, e depois ambos morreriam e, ao contrário dos outros elfos que poderiam "reencarnar", o espírito dela sairia do mundo para sempre. Ela desistiu de sua imortalidade por amor!


Beren e Lúthien viveram juntos por mais 37 anos. Lúthien teve um filho, Dior. Através de seus descendentes, o sangue dos elfos e dos homens prosperou.  Dior foi avô de Elrond e Elros, e ancestral dos reis Númenórianos.

Um dos fatos mais bonitos desse conto, além da coragem de Beren para cumprir a missão e do fato de a elfa ter aberto mão de sua mortalidade, reside no fato que Tolkien se considerava como Beren, e sua esposa Edith, como Lúthien!

O Silmarillion é um livro maravilhoso, cheio de histórias emocionantes, mitos e lendas. O considero essencial para os leitores que amam O Senhor dos Anéis e fantasia. Mas recomendo ter sempre um caderno ao seu lado para fazer anotações: são muitos nomes, lugares, espécies, e árvores genealógicas!

Ilustrações: 1- Celtica-Harmony on deviantART. 2- zdrava.deviantart.com on @deviantART 3- ekukanova on DeviantArt. 4- Keyade on deviantART.

Vídeo: Música original de Eurielle.


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